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ESTEIO On Line 007
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gratuito distribuído por e-mail e produzido pela equipe da ESTEIO Engenharia e
Aerolevantamentos S.A.
Seção MERCATOR
O conteúdo desta página é formado com
base em alguns trechos do artigo "A importância do Cadastro no processo
civilizatório" de autoria dos professores M.Eng. Obéde Pereira
de Lima - FURG (ecv3opl@ecv.ufsc.br) e Dr.-Ing. Jürgen Philips - UFSC
(philips@ecv.ufsc.br) para o COBRAC 2000. A matéria completa encontra-se em:
http://geodesia.ufsc.br/geodesia-online/arquivo/COBRAC_2000/173/173.htm
A importância do Cadastro no processo civilizatório
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Este artigo é o resultado de uma pesquisa bibliográfica, realizada com o
objetivo de resgatar a importância do cadastro de bens imóveis no processo
civilizatório, situando-o no tempo e no espaço, desde os primórdios da
civilização. Começando na Antigüidade, (em torno de 4.000 a. C.); passa pelo
Século XVII a. C., quando Hamurabi, na Babilônia, demarca as primeiras
propriedades territoriais do homem; prossegue pela Idade Média, quando surge o
feudalismo; atravessa a Idade Moderna, com a transição do feudalismo para o
capitalismo; e, por fim, chega na Idade Contemporânea com a Declaração dos
Direitos do Cidadão (1789), onde diz que a propriedade privada é inviolável e
sagrada e, no final desta última década de 1990 com o despertar da consciência
da Humanidade de que os recursos naturais da Terra não são inesgotáveis.
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Foto: Site A Ciência do Desenho
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Generalidades
Em todas as profissões o conhecimento, por parte dos
seus elementos humanos integrantes, sobre como, quando e onde as suas
respectivas atividades iniciaram e se desenvolveram tem a grande importância,
não só sob o ponto de vista cultural, mais sobretudo como fonte de pesquisas e
de descobertas dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos alcançados no
passado, servindo como uma base para o progresso no futuro. Com este propósito
este tema é abordado, buscando-se o saber sobre as origens e o desenvolvimento
do cadastro de bens imóveis e territoriais desde os primórdios do processo
civilizatório.
Para se dizer alguma coisa sobre a IMPORTÂNCIA DO CADASTRO NO PROCESSO
CIVILIZATÓRIO, sob o enfoque filosófico, é necessário recorrer a História Geral
e pesquisar sobre as relações existentes entre os governantes (detentores do
poder em todas as formas) e seus respectivos povos, retirando dela os aspectos
pertinentes a este assunto, de grande importância para o correto entendimento
das condutas sociais, humanas, políticas, econômicas, e jurídicas.
A história começa quando os homens encontram os elementos de sua existência nas
realizações de seus antepassados. Do ponto de vista europeu, divide-se em cinco
grandes períodos: Pré-história, Antigüidade, Idade Média, Idade Moderna e Idade
Contemporânea.
Apreciando a vida moral dos seres humanos, ao longo desses períodos e sob
determinadas óticas, pode-se inferir sobre suas condutas diante do sentimento
de posse e de propriedade de bens móveis, imóveis e territoriais.
Pré-História
Período que vai do surgimento do homem na Terra, há
cerca de 3,5 milhões de anos, até o aparecimento da escrita, por volta de 4.000
a.C. Tem como marcos a evolução no emprego da pedra como arma e ferramenta, a
criação da linguagem oral, o surgimento da arte a utilização e domínio da
produção do fogo, a domesticação e criação dos animais, a prática da
agricultura e a criação da metalurgia. Está dividida nos períodos: Paleolítico
(de 3,5 milhões a.C. a 10.000 a.C.), Mesolítico (de 10.000 a.C. a 8.000 a.C.) e
Neolítico (de 8.000 a.C. a 4.000 a.C). A domesticação de animais, o surgimento
da agricultura, a utilização dos metais e a descoberta da escrita marcam o fim
dessa fase.
Antiguidade
Começa com a utilização da escrita e termina com a
queda do Império Romano do Ocidente, em 476. As primeiras civilizações surgem
entre 4.000 e 3.000 a.C. Formam-se às margens dos grandes rios Nilo (Egito),
Tigre e Eufrates (Mesopotâmia), Amarelo (China), Jordão (Palestina), Indo e
Ganges (Índia e Paquistão) como resultado da revolução neolítica. Essas
civilizações dominam algumas técnicas comuns, como a domesticação dos animais,
a agricultura, metalurgia, escultura e escrita. As relações sociais
comunitárias são substituídas pelo escravismo ou pela combinação deste com
diferentes formas de servidão.
Antiguidade Oriental
EGÍPCIOS - O vale do rio Nilo, com terras
negras e férteis, é a base da civilização egípcia. A fertilidade resulta da
inundação anual do rio (julho a outubro) e da deposição do húmus quando as
águas baixam.
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Unificação egípcia - A agricultura e o intercâmbio de produtos estimulam a
sedentarização e a miscigenação das tribos, que formam, no vale do Nilo, um
único povo, diferente dos beduínos que habitam o deserto. Durante o Neolítico,
são construídas cidades-Estado sobre o eixo fluvial, como Tebas, Mênfis e
Tânis, que se relacionam ativamente. Elas se unificam por volta de 3.000 a.C.,
introduzindo uma monarquia centralizada na figura do faraó, soberano
hereditário e absoluto, considerado uma encarnação divina. Na segunda dinastia
tinita (3.000 - 2770 a. C.) a soberania faraônica estabelece o recenseamento da
propriedade, com 3 freqüência de dois em dois anos, envolvendo terras, ouro e
gado, com o objetivo de cobrança de impostos. As cidades-Estado são
transformadas em monos, divisões administrativas da monarquia, governadas por
monarcas.
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Foto: Banco Santos
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Economia e sociedade egípcias - A agricultura e o
intercâmbio de produtos naturais são a base da economia. Após a unificação, a
terra passa dos clãs à propriedade do faraó, nobres e sacerdotes. Os membros
dos clãs são transformados em servos. As incursões em direção à Núbia, Somália,
Sinai e Biblos introduzem o trabalho escravo nas minas e na construção dos
palácios, templos e pirâmides.
CHINESES - Desde o período pré-histórico, diferentes povos ocupam a
região da China. O primeiro reino dinástico surge por volta de 2.000 a.C.
Sucedem-se disputas e guerras pela hegemonia por quase 2 mil anos. A primeira
unificação é realizada pela dinastia Chin, em 221 a.C., substituída pela
dinastia Han ocidental, em 206 a.C.. Os Han mantêm a centralização dinástica,
derrotam a tentativa de invasão dos hunos e expandem sua hegemonia pela Ásia
Central e Sudeste Asiático. No século I, a dinastia Han amplia seu território
até o golfo Pérsico.
Organização política e social chinesa - A sociedade evolui da forma comunal
para a propriedade da nobreza territorial. Os camponeses tornam-se servos,
pagando obrigações aos senhores territoriais. Com o tempo, os servos são
incorporados ao exército. Nas cidades, ganham importância os nobres,
funcionários burocráticos, comerciantes e artesãos. As dinastias têm
organização monárquica, com o rei centralizando as funções administrativas e
sacerdotais.
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Antiguidade Ocidental
GRÉCIA - Na península Grega disseminam-se, por
volta de 3.000 a.C., povoados fortificados de tribos de cultura agrária. Entre
1.600 e 1.200 a.C. intensificam-se as migrações de povos pastores para a
península, como os aqueus, os jônios e os dórios, que falam grego, conhecem os
metais e utilizam carros de guerra.
Economia e sociedade gregas - A introdução da metalurgia do bronze e do ferro,
o desenvolvimento do artesanato e a intensificação do comércio aumentam a
produtividade entre os séculos VI e IV a.C. Esses fatores, associados às
migrações e às guerras, modificam as antigas relações sociais, baseadas em
clãs. Os habitantes passam a agrupar-se principalmente nas póleis (cidades). O
trabalho na agricultura e nas demais atividades manuais fica a cargo de
escravos (em geral presas de guerra) e parceiros semilivres. As terras comunais
ou gentílicas passam à propriedade de uma classe de proprietários territoriais,
a nobreza. O desenvolvimento do comércio faz surgir uma classe de comerciantes
e artesãos ricos.
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ROMA - A península Itálica é quase toda
ocupada por povos do Neolítico, que conhecem a metalurgia do bronze, a
agricultura e a construção de aldeias fortificadas, como as palafitas. Por
volta de 2.000 a.C., a península recebe uma onda migratória de povos
indo-europeus.
Economia romana - É basicamente agrária e pastoril no período da Realeza. A
partir da República, quando o Império se expande, tem acesso aos escravos e
desenvolve o comércio.
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Foto: Site Terrae Anteqvae
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Sociedade de patrícios e plebeus - Sob o domínio dos
etruscos, há uma nobreza proprietária de terras, súditos livres que trabalham
na agricultura e nos ofícios e escravos, prisioneiros de guerra ou por dívidas.
Sob o domínio romano, há os romanos livres e os escravos. Os romanos livres
configuram duas grandes classes: os patrícios, ou nobreza territorial e
militar, e os plebeus. Entre os plebeus estão os camponeses (pequenos
proprietários ou lavradores das terras públicas), os artesãos e os soldados das
centúrias. Além do escravismo, os patrícios utilizam o sistema da clientela, no
qual trabalhadores livres produzem nos latifúndios em troca de proteção e de
parte do que produzem. Com o fim das conquistas militares e as invasões
bárbaras (século III) o escravismo é substituído pelo colonato, uma forma de
servidão voluntária com base na antiga tradição da clientela.
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Idade Média
Abrange o período que vai do século V da era cristã
até a queda de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, em 1453.
Principais marcos: a expansão dos reinos bárbaros na Europa, a transformação do
escravismo em feudalismo, o surgimento dos impérios feudais, a expansão do
cristianismo e do islamismo, o renascimento do comércio e das cidades medievais
e o apogeu da civilização maia, na América.
Inicia-se, na cronologia européia, com a queda do Império Romano do Ocidente,
em 476. É marcada pela ruralização e descentralização do poder, que permite o
desenvolvimento do feudalismo. O retalhamento do território em feudos se
estende por todo o continente europeu, acompanhando a expansão dos reinos
bárbaros. A consolidação do poder da Igreja Católica é característica
fundamental desse período.
Feudalismo
As invasões dos bárbaros e a desagregação do sistema
político de Roma, a partir do século V, conduzem a uma reestruturação social
que resulta no feudalismo europeu. Poder descentralizado, economia agrícola de
subsistência e mão-de-obra servil constituem a base desse sistema, que possui
características que variam conforme a região. No continente asiático o processo
de reestruturação feudal segue um caminho próprio.
Na organização política a sociedade feudal estrutura-se em relações de
dependência pessoal, ou vassalagem, que abrangem desde o rei até o camponês. O
vassalo oferece ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de
proteção e um lugar no sistema de produção. O senhor feudal também é vassalo de
outro senhor, e assim sucessivamente, até chegar ao rei, que é o suserano
maior. Cada escala de vassalagem paga algum tipo de serviço ao seu suserano e
ao rei.
Idade Moderna
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Período entre a queda do Império Romano do Oriente e
a Revolução Francesa, em 1789. Principais marcos: o fortalecimento dos Estados
nacionais monárquicos, a expansão marítima e colonial, o fortalecimento e
expansão do capitalismo - que se torna a forma de produção predominante -, o
renascimento cultural e científico, a fermentação revolucionária do iluminismo
e a independência norte-americana.
Compreende o período histórico que, na Europa, se estende da queda do Império
Romano do Oriente para os turcos, em 1453, até a Revolução Francesa, em 1789.
Constitui o período de transição do feudalismo para o capitalismo. Tem como
principais marcos a formação dos Estados nacionais modernos, as
Capitânias Hereditárias
, o renascimento
cultural, a expansão marítima, a descoberta de novos territórios, as reformas e
contra-reformas cristãs, o colonialismo, o surgimento das monarquias
absolutistas, o Iluminismo e a independência dos Estados Unidos.
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Foto: Site A Ciência do Desenho
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Idade Contemporânea
Cobre o período do final do século XVIII, a partir da
Revolução Francesa, até a atualidade. Principais marcos: o período napoleônico
(1799 a 1815), a restauração monárquica e as revoluções liberais (1800 a 1848),
a revolução industrial e expansão do capitalismo (de 1790 em diante), a
disseminação das nacionalidades e das doutrinas sociais (a partir de 1789), o
surgimento do imperialismo, a 1a Guerra Mundial (1914-1918), as revoluções
socialistas, a expansão da democracia, o surgimento do fascismo e do nazismo
(1917-1938), a 2a Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra Fria (1948-1990) e a
desagregação da União Soviética (1991).
Revolução Francesa - É resultado do descontentamento da maioria da
população contra os privilégios da alta burguesia, nobreza e clero. Sob o
absolutismo de Luís XVI, dos Bourbon, domina a desigualdade civil e uma
profunda crise financeira.
Na época pós-revolucionária Napoleão decretou o levantamento cadastral de todo
o território nacional francês e, mais tarde, também das terras ocupadas, este
com a finalidade principal de criar um estímulo à cidadania, e como
justificativa secundária para a arrecadação da justa tributação dos cidadãos
proprietários de bens imóveis.
Declaração dos Direitos do Cidadão - É aprovada pela Assembléia
Constituinte em 26 de agosto de 1789, inspirada na declaração norte-americana,
e diz que a propriedade privada é inviolável e sagrada. Também institui a
igualdade jurídica e a liberdade pessoal para todos os homens de todas as
regiões do mundo.
Na última década de 1990, após a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD, realizada no Rio de Janeiro em 1992
e, por isto, conhecida entre os brasileiros como a ECO-RIO/92, quando muito se
tem falado em "Desenvolvimento Sustentável", o Cadastro Técnico
Multifinalitário tornou-se instrumento indispensável na Gestão Territorial e
Ambiental.
Conclusões
A História da Antigüidade registra o recenseamento da
propriedade, envolvendo terras, ouro e gado, já na II dinastia tinita
(3000-2770 a.C), com freqüência de dois em dois anos, tendo como objetivo a
cobrança de impostos pela soberania faraônica no Egito Antigo.
Na Babilônia, Hamurabi (1728-1688 a. C.) institui impostos e tributos sobre a
propriedade em benefício de obras públicas e estabelece regras de vida e
propriedade.
Entre os Assírios verifica-se a repartição da propriedade da terra entre a
casta sacerdotal, rei e nobreza, tendo em vista o desenvolvimento das
atividades agropecuárias.
O povo fenício coloniza regiões litorâneas, introduz a servidão e vassalagem
das tribos e utilizam o trabalho escravo.
Na economia e sociedade hindus, durante a dominação ariana, ocorrem mudanças na
propriedade rural, com a repartição familiar das terras.
Na economia e sociedade gregas, as terras comunais passam à propriedade de uma
classe de proprietários rurais, a nobreza.
Na Idade Média verifica-se na Europa, entre os principais marcos, a
transformação do escravismo em feudalismo, com o retalhamento do território em
feudos (unidade territorial).
Na Idade Moderna ocorre a transição do feudalismo para o capitalismo e, entre
os principais marcos históricos, tem-se a formação dos Estados nacionais
modernos.
Na Idade Contemporânea, a partir da Revolução Francesa até a atualidade, entre
os marcos importantes registrados, pode-se destacar a Declaração dos Direitos
do Cidadão, com o estabelecimento de que a propriedade privada é inviolável e
sagrada, e o despertar da consciência da humanidade, de que os recursos
naturais da Terra não são inesgotáveis.
Sem dúvida alguma, no decorrer do processo civilizatório ao longo da História,
o CADASTRO, desde a sua significação mais ampla até a sua definição como
levantamento, medição e registro da propriedade territorial, quer para
finalidades legais, econômicas ou fiscais, foi e continua sendo de grande
importância para o processo do desenvolvimento da civilização.
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