Levantamento GPR
para construção de dique seco
Este serviço refere-se a levantamentos de GPR (Ground
Penetrating Radar) realizados em áreas previstas para a construção de um dique seco
nas proximidades do Porto de Rio Grande – Rio Grande/RS, com o intuito de identificar
a presença de eventuais vestígios arqueológicos relacionados a presença de fortificações
e/ou ocupações históricas da área.
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Localização prévia da área prevista
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A presença de diversos fragmentos encontrados nesta área
suscitou o interesse de arqueólogos. Entretanto, embora os trabalhos de peneiramento
e escavação já tivessem detectado a ocorrência destes fragmentos, a presença de
estruturas mais contínuas, relacionadas a alicerces e/ou fundações de antigas edificações
ainda não haviam sido identificadas. De forma a minimizar a necessidade de escavações
diretas, decidiu-se pela utilização de uma técnica geofísica não destrutiva e de
alta resolução para pequenas profundidades (GPR), com o objetivo principal de localizar
estas estruturas.
Estes levantamentos foram executados no mês de Janeiro de 2007, distribuídos em
áreas indicadas pela equipe de arqueologia, de acordo com plantas fornecidas pela
empresa WTORRE.
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Metodologia
Para este levantamento os dados foram adquiridos através
de perfilagem contínua, com arranjo monoestático, ou seja, a mesma antena (200 ou
400 MHz), possui a finalidade de transmissora e receptora das ondas eletromagnéticas.
A fim de minimizar o efeito da divergência esférica, caracterizado pela atenuação
das ondas no meio propagado, aplica-se um ganho, durante a aquisição, a partir da
análise da amplitude dos traços em função do tempo.
A posição geográfica dos perfis realizados foi amarrada a piquetes pré-fixados em
campo pela equipe de topografia, de acordo com orientação da equipe de arqueologia.
Os perfis realizados foram executados em uma malha retilínea, com espaçamento de
5,0 em 5,0 metros, subdivididos conforme a planta de projeto, totalizando 1380 metros
lineares em 48 perfis, perfazendo uma área de 3.100 m2.
Durante a aquisição dos perfis, utilizou-se também um distanciômetro (survey wlleel),
acoplado a antena que automaticamente cria “marcas” a intervalos regulares previamente
definidas, de tal forma que, sabendo-se a localização de início e fim de cada seção,
é possível georeferenciar cada ponto levantado pelo GPR.
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Levantamento de GPR ao longo da
área prevista para instalação do dique seco. A caixa laranja é uma antena transmissora
e receptora de 200 MHz acoplada a um distanciômetro.
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Unidade central do GPR, responsável
pelos parâmetros de aquisição e armazenamento dos dados. Para estes levantamentos
a unidade permaneceu conectada a antena através de um cabo coaxial de 30 metros.
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Visão geral da área dos levantamentos.
Solos predominantemente arenosos, localmente com presença de vegetação rasteira.
Notar ao fundo as peneiras utilizadas pela equipe de arqueologia.
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Antena de 400 MHz conectada ao distanciômetro.
Notar a presença de retroescavadeiras ao fundo, trabalhando em áreas já liberadas
pela equipe de arqueologia.
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Levantamento de GPR com antena de
400 MHz nas proximidades das áreas de peneiramento.
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Detalhe da antena de 400 MHz conectada
ao distânciometro, que cria marca a intervalos contínuos e permite georreferenciar
os perfis realizados.
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Exemplo de Perfil GPR.
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Exemplo de Perfil GPR.
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Resultados Obtidos
Nos perfis realizados não foram identificados refletores que apresentem continuidade
lateral e densidade de sinal que sugiram a eventual presença de fundações e/ou alicerces
de antigas estruturas (edificações).
Praticamente todos os perfis indicaram a presença de interferências, sendo elas
representadas por fragmentos de rocha, louça (cerâmica), metal e vidro.
A dimensão destes fragmentos varia de poucos milímetros até aproximadamente 10,0
a 15,0 cm. Em alguns casos observam-se refletores na forma de hiperboles que indicam
a presença de fragmentos metálicos de até 50,0 cm.
Por não ser objeto deste estudo, estes fragmentos (interferências) foram tratados
de forma indiferenciada neste documento, exceto nos casos em que algum elemento
superficial ou informação adicional permita sua classificação.
A representação destas interferências, nos perfis realizados, foi possível a partir
da interpretação da geometria dos diversos refletores encontrados. De modo geral
estes refletores se apresentam como hipérboles (geralmente fragmentos metálicos),
em caixa, plano paralelos, etc.
Em alguns perfis a identificação das interferências foi prejudicada devido à presença
de níveis de composição orgânica, associados a alta umidade, que ocasiona um aumento
da condutividade, dificultando ou impedindo a penetração das ondas eletromagnéticas.
Desta forma pode-se concluir que o GPR se mostrou como uma ferramenta complementar,
de alta resolução para o mapeamento arqueológico da área. Cabe salientar que além
da precisão destes levantamentos, esta metodologia é conhecida como indireta ou
não invasiva, ou seja, não há necessidade da abertura física de valas e/ou trincheiras,
que podem impactar diretamente em prazos e custos mais elevados.
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